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Produtor da Bushiroad Move explica por que os animes isekai dominam as temporadas

CWPor Camila Watanabe1h atrás3 min de leitura

Em entrevista ao portal japonês Toyo Keizai, o produtor Yusuke Onuki, da Bushiroad Move, explicou como o mercado internacional — e principalmente os serviços de streaming americanos — passou a ditar as decisões de adaptação de animes, e por que isso sustenta a enxurrada de isekais nas temporadas recentes.

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Onuki começou dimensionando o custo: uma temporada de 12 a 13 episódios gira em torno de 350 milhões de ienes (cerca de US$ 2,1 milhões), valor que precisa estar garantido antes de a série ir ao ar. Para um projeto sair do papel, os investidores precisam se convencer do potencial de venda de merchandising, do apelo nas redes sociais, do público-alvo e, sobretudo, do valor da obra para os serviços de streaming internacionais.

A mudança no financiamento

Segundo o produtor, a principal transformação da indústria é a migração da dependência das vendas de mídia física para a receita de licenciamento de streaming, em especial das plataformas americanas. Essas empresas oferecem um valor mínimo que cobre boa parte dos custos de produção, o que, somado a obras de sucesso, gera uma receita mais estável.

Com isso, ficou cada vez mais comum os comitês de produção abandonarem a exigência de agradar especificamente ao público japonês e passarem a decidir com base no quanto as plataformas internacionais estão dispostas a pagar por determinado projeto.

Por que o isekai

É nesse ponto que o isekai entra. Onuki argumenta que a premissa de um personagem fraco transportado para outro mundo é muito mais fácil de absorver pelo público geral do que as nuances da vida escolar japonesa, dos costumes locais e das características culturais do país. Os comitês, portanto, apostam no seguro e focam em gêneros fáceis de vender para as plataformas, o que aumenta o capital inicial e, na ponta, a receita final.

O mesmo raciocínio vale para as web novels: obras de sites como o Shōsetsuka ni Narō já chegam com dados claros de popularidade, como rankings e número de visualizações, o que facilita a decisão dos investidores na hora de aprovar orçamentos.

O limite do modelo

Onuki, porém, apontou um problema: a escassez de material-fonte. Com a disputa crescente pelas obras mais populares do Shōsetsuka ni Narō, boa parte das bem classificadas já foi adaptada — e é questão de tempo até não sobrarem títulos elegíveis no site.

Para o produtor, a escolha por isekais e obras padronizadas não reflete falta de criatividade dos autores nem alta demanda do público japonês, mas um sistema cada vez mais dependente do financiamento internacional, que leva os investidores a priorizar o que funciona em vez de arriscar no incerto.

Fontes