Justiça americana obriga YouTube a revelar identidade de criadores que resumiam animes
Um tribunal federal da Califórnia autorizou, em agosto de 2026, uma medida que obriga o YouTube a divulgar a identidade de três criadores de conteúdo sul-coreanos que produziam resumos de animes na plataforma. A decisão faz parte de um processo de direitos autorais movido pela Kadokawa em janeiro contra Bongseop Kim, Woohyuk Yang e Youngyoon Ko.
Os três YouTubers são acusados de uso ilegal de imagens das obras Ninja to Koroshiya no Futarigurashi (A Ninja and an Assassin Under One Roof), Oshi no Ko e Aru Majo ga Shinu Made (Once Upon a Witch's Death), respectivamente.
A Kadokawa alegou que os canais replicavam o conteúdo das obras sem autorização. A defesa argumentou que os vídeos se enquadram no "fair use" (uso justo), já que utilizavam imagens dos animes como parte de comentários, análises e resumos, conferindo um novo significado ao material original.
Os argumentos da defesa
Os advogados dos YouTubers sustentaram que o conteúdo não competia diretamente com a distribuição oficial das obras e, pelo contrário, ajudava a promover os animes. Todos os vídeos continham links para a plataforma de streaming Laftel. Segundo dados compartilhados pelo criador Kim, os resumos geraram uma média de 114.494 cliques para a plataforma.
A defesa também apontou que a Kadokawa já havia solicitado a retirada dos vídeos anteriormente, mas recuou após receber uma contra-notificação dos criadores, o que levou o YouTube a restaurar o conteúdo. Esse precedente foi usado para argumentar que a ação judicial não seria legítima, mas sim uma tentativa de gerar pressão sobre o uso do DMCA (Digital Millennium Copyright Act).
A equipe jurídica da Kadokawa, por sua vez, contra-argumentou que dois dos três vídeos denunciados já não estavam mais disponíveis e que o único ativo "mal resumia o enredo das obras". Os advogados da empresa também ironizaram os argumentos de um dos criadores, que atuava como seu próprio advogado, dizendo que pareciam "alucinação de IA" por não terem base legal.
Decisão do tribunal
A juíza responsável declarou que, mesmo sem evidências claras (os vídeos estavam privatizados), o conteúdo se limitava a "narrar e descrever" o material original — uma prática diferente de parodiar, criticar ou transformar a obra. Com base nessa distinção, ela determinou que os criadores não estão protegidos pelo fair use e que o YouTube deve fornecer suas identidades para que o processo original prosiga.
Vale destacar que essa decisão se refere especificamente à revelação das identidades. O julgamento sobre se os vídeos de fato violaram direitos autorais será realizado em etapa seguinte do processo.
Contexto: Kadokawa intensifica ação contra resumos de animes
O caso não é isolado. Em abril de 2026, um homem de 39 anos foi preso no Japão após a Kadokawa e a TOHO entrarem com processo alegando que resumos de animes por ele produzidos violavam direitos autorais de suas obras. As duas empresas intensificaram ações legais contra canais que resumiam animes em plataformas digitais, e o caso nos EUA indica que a estratégia está se expandindo internacionalmente.

Logotipo da Kadokawa | Créditos: Kadokawa Corporation