Governo japonês decide extinguir o Cool Japan Fund
O governo japonês decidiu abolir o Cool Japan Fund, fundo criado para promover a cultura japonesa moderna — como animê e mangá — no exterior. A informação foi divulgada pela imprensa japonesa, citando fontes do governo.

O Cool Japan Fund acumulou perdas desde sua criação em 2013 | Créditos: ANN / METI
Um pilar do "Cool Japan"
O fundo, que reunia apoio do governo e de empresas privadas, era um dos pilares do chamado "Cool Japan", iniciativa que partia da premissa de que a força do Japão nos negócios e nas relações internacionais estava em áreas como animê, mangá, filmes, moda e outros campos da produção cultural e de entretenimento japoneses.
O fundo entrou em operação em 2013, como uma das principais apostas da segunda gestão do primeiro-ministro Shinzō Abe. Desde então, porém, acumulou perdas de 54 bilhões de ienes (cerca de US$ 340 milhões). Já em 2017, o jornal Nikkei reportou que a maioria dos investimentos daquele ano tinha ficado abaixo do esperado. Em 2022, um subcomitê do Ministério das Finanças chegou a discutir reestruturar ou extinguir o fundo caso ele não desse lucro até o ano fiscal de 2025.
O METI (Ministério da Economia, Comércio e Indústria) convocou um painel de especialistas no fim de julho de 2026 para enxugar o fundo. Sem verba no próximo ano fiscal, ele não conseguiria fazer novos investimentos.
Investimentos no setor
Ao longo de sua existência, o fundo direcionou recursos para várias empresas ligadas ao animê. Em 2019, investiu US$ 30 milhões na Sentai Holdings, controladora da Sentai Filmworks, HIDIVE e Anime Network, e ofereceu mais US$ 3,6 milhões em 2020. Em 2014, investiu no Anime Consortium Japan, joint venture que chegou a administrar o serviço de streaming Daisuki antes de seu encerramento em 2017. Em 2015, o fundo planejou investir até 450 milhões de ienes (cerca de US$ 3,7 milhões) em projetos da Kadokawa para desenvolver criadores de conteúdo de animê e mangá fora do Japão.
Durante a pandemia de covid-19, a iniciativa Cool Japan criou um fundo de emergência para ajudar a manter empresas em atividade em 2020.